Bugio ruivo não transmite a febre amarela, e está ameaçado de extinção no RS
- porJuliano Beppler da Silva
- 2 de março de 2017
- 8 anos

Bugio ruivo apareceu na mata do “Morro da Corsan” em Bom Retiro do Sul na quarta-feira, dia 1º. (Foto: Juliano Beppler / Giro do Vale)
Após o registro da aparição de um bugio em área mais próxima ao Centro de Bom Retiro do Sul, fomos saber um pouco mais sobre esse primata, a ameaça que ele sofre de extinção, e tirar uma dúvida que muitas pessoas tem, quanto ao fato dele ser transmissor, ou não de febre amarela.
Consultamos a bióloga bom-retirense Soraya Ribeiro, que é Doutoranda em Diversidade e Manejo da Vida Silvestre, e chefe da Equipe de Controle Agrossilvopastoril e Vida Silvestre da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da prefeitura de Porto Alegre.
Bugio não transmite a febre amarela
Soraya conta que na última epizootia de febre amarela do ano de 2009, diversas entidades, e pesquisadores, se dedicaram às campanhas de proteção ao bugio ruivo. Com a vinculação do nome do macaco nas notícias sobre a epizootia, muitas pessoas mal informadas acabaram perseguindo o animal achando que este era o transmissor da febre amarela.
“Desde aquele ano, estamos nesta campanha para esclarecer a comunidade de que o bugio não transmite a febre amarela, quem transmite a febre amarela é o mosquito. O bugio é apenas uma vítima da doença, como nós. Os seres humanos e macacos pertencem a mesma ordem de primatas, por isto as doenças que acometem um grupo também pode acometer outro”, destaca a bióloga. Ela ainda frisa que para os humanos existe a vacina, para o bugio não.
Por ser um mosquito que habita matas, o transmissor infecta primeiro o bugio, que quando morre, avisa aos seres humanos que o mosquito está infectado pelo vírus.
Ameaçado de extinção
O bugio ruivo – Alouatta guariba clamitans – é um animal ameaçado de extinção no Estado do Rio Grande do Sul. As principais causas deste cenário são, a destruição das matas, a caça e o tráfico de animais.
Conservação
Soraya destaca que para o município de Bom Retiro do Sul, ter este animal em suas matas representa uma grande oportunidade de realizar projetos, e buscar recursos para conservação de áreas naturais. Para a bióloga, o município já poderia estar pensando em buscar recursos para criação de Unidade de Conservação, para proteção deste animal, gerando uma nova alternativa de turismo e renda à cidade também.
Onde eles estão?
Em Bom Retiro do Sul os bugios ruivos habitam a região de Faxinal e Beira do Rio. Também há registro de aparições de macacos dessa espécie em mata próxima a localidade de Saibreira, e na mata aos fundos da empresa JBS.
No “Morro da Corsan”, onde um bugio foi flagrado na tarde da quarta-feira, dia 1º, não é comum o registro de sua presença. Essa já é uma área mais habitada, e acredita-se que o primata possa ter passado pelo local, em busca de alimento. Moradores dessa região da cidade há cerca de 40 anos, confidenciaram, nunca ter visto macacos no local.
SAIBA MAIS:
Bugio é flagrado no “Morro da Corsan” em Bom Retiro do Sul
Giro do Vale
Publique seu comentário
Leia também
Mais Lidas
Mais Recentes
Eduardo Berwanger Freitas é homenageado pelo Legislativo de Bom Retiro do Sul
- 26 de março de 2025
- 1 dia
Tragédia: menino de três anos morre após cair em piscina em Santa Cruz do Sul
- 26 de março de 2025
- 2 dias
Ainda não há comentários